quarta-feira, setembro 03, 2008

Minha Caixa de Pandora





Em um determinado momento em nossas vidas, chega o grande “dia” de abrir a Caixa de Pandora.
O instante inadiável de nos confrontarmos com nós mesmo.
Como no mito grego, todos os tesouros da humanidade reunidos e guardados secretamente, a “nossa caixa de Pandora” não foge o tema.
Aqui moram os afetos e desafetos de uma jornada toda, anseios, medos, demônios e anjos, fantasias e fantasmas, sonhos e frustrações, o lado escuro e misterioso que mora em cada um.
Não tem volta, se abrir, não há retrocesso, é um caminho sem volta.
Estar diante da própria essência é assustador, ao primeiro virar da chave,
Piscar de olhos todo o universo que conhecíamos até então passa a ter outro sentido.
Ao mesmo tempo, que revelar-se seja um alívio também é um tormento, porque nunca sabemos o que irá ser encontrado, nem qual será o próximo passo.
A compreensão do que não conhecemos pode até ser uma afronta e limitado.
O mais engraçado disso tudo, desse processo de “auto-decifrar” é que mais parece um vai-e-vem que não me remete a lugar algum, não consegui me entender, menos ainda me encontrar, agucei minhas assombrações e não consigo lidar com elas.
Fiquei foi envenenada de conceitos e agraciada de possibilidades, inutilidade divagando
no silêncio da minha alma, todas as luzes apagadas.
Mas, eu tenho medo do escuro, e essa calmaria me alucina.
Acho que não foi boa escolha, mas quais foram as escolhas?
Algumas nem foram conscientes e até involuntárias.
Pago por elas? Me culpo por elas?
Convivo com elas...
O vazio que habita meu próprio abismo é a escada que me leva a novas escolhas.
Mas é o que invariavelmente sinto nessa ocasião, não suporto o fator dúvida,
Nem me dou bem com essa conspiração de sentimentos, nunca fui boa em avaliações,
sempre me perco no meio do caminho, pior é que muitas vezes a teimosia me alcança, e feito criança mimada, quero soltar das mãos e tentar sozinha, acho que sempre vou dar conta do recado e de todo o resto, mas é que de vez em quando eu também me procuro e a tarefa de retomar ao ponto de partida é apenas minha.
Pode ser uma grande perda de tempo, então eu me rendo, essa que mora dentro de mim é mais obstinada do que eu pretendia ser, e se eu me afasto, ela torna me empurrar.
Uma odisséia homérica essa que veio me encontrar, e o pouco de lucidez que me resta me manda calar a boca!
Caixa fechada, já vi o bastante, esmiucei demais, os próximos capítulos pretendo descobrir ao acaso.


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terça-feira, setembro 02, 2008

Você sabe rezar????





Problemas com a telefonia, banda larga, tv à cabo, suprimentos para emagrecer, cartões de créditos, boletos bancários?
Quer reclamar?
Foi feito de palhaço, calma, fica relax, você não é o único.
Xi, a coisa tá feia e já vou avisando, é melhor que prepare os ânimos, porque vem chumbo grosso. Será que o Procon, Codecom, resolvem?
Ou será as atendentes tão bem preparadas do tele marketing?
Socorro, porque o bicho tá pegando!
Se estiver disposto a desgastes, stress e leve surtos que passam por horas intermináveis de negociações sem nenhuma resolução sequer aparente, é melhor sentar e esperar, ou quem sabe deitar.
Dores de cabeça? Que isso, anime-se é só o começo!
Acessos de raiva, fúria, incompreensão? Tornaram-se frequentes...
Perde tempo debatendo-se em tamanha falta de consideração, esperando por soluções que se arrastam nas filas de espera.
Talvez algum dia alguém resolva seus problemas, mas agora acho um tanto ilusório.
Não querendo lhe assustar e fazer uso do pessimismo, apenas usando o bom senso, vamos cair na real, essa realidade que tanta bagunça vem fazendo em todos e possíveis setores que nos cercam como cidadãos, já virou motivo de piadas.
Tão banalizada quanto a desordem aérea, ou a epidemia da dengue e da febre amarela, há tem também os superfaturamento de alguns senhores de cima, havia me esquecido desses detalhes, talvez porque a lista seja extensa demais.
Você paga impostos? Cumpre suas obrigações, é correto e digno de respeito?
Acho que essa palavrinha está meio obsoleta dos vocábulos atuais.
E quantas brigas, até desistiu de fazer reivindicações não foi?
Seja bem vindo então, a nova era que entramos, o caos resolveu mudar para cá de malas e cuia.
E o pior é ter que olhar estáticos as facetas que nossos excelentíssimos governantes nos presenteiam cotidianamente.
Um conselho. Se apegue a todos os santos, porque toda ajuda divina é bem vinda, Já que a dos meros mortais que regem o poder esta um pouco difícil de sair ultimamente.
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quinta-feira, agosto 28, 2008

Como uma “Bridget Jones”


















Essa capacidade fenomenal de dizer coisas absurdas nas horas mais impróprias, agir de maneira estranha em situações mais improváveis, e ser absolutamente imprevisível.
Gafes?????
Minha nossa quantas! (Risos)
Uma tendência memorável em fazer tudo aos avessos dos conceitos estabelecidos pela sociedade.
Eu precisava falar sobre esse livro, aliás,eu ansiava em falar sobre ele, ou será sobre eu?
Porque a sensação que se tem é exatamente essa, o livro foi indiscutivelmente feito "pra você".
Quando finaliza a página 319, tenha a leve impressão de que lhe colocaram no microscópio, andaram lhe observando, como sabem tanto a seu respeito?
Fantástico! Por quê?
Porque trata-se de um "personagem" comum, sobre uma mulher comum, e justamente aí está o ápice do enredo.
Somos nós, eu, você, ela, aquela. Mulheres comuns.
Em algum momento do livro você se encontra, em alguma situação familiar, uma "gafe" peculiar, alguma atitude similar, lá está você, sentindo-se uma "Bridget Jones", por ser exatamente essa a grande sacada de Helen Fielding, ela não somente torna a história interessante pela forma de se contar o modelo "diário", como pelo humor cômico e até negro em alguns aspectos.

Os defeitos, nossos defeitos, é essa a identificação instantânea, não é um personagem elaborado para que nossa imaginação fique aguçada a tal ponto de fantasiarmos ocasiões ou emoções, não mesmo, trata-se do oposto; justamente o lado "humano", sem o toque "mágico e inebriante" dos romances convencionais, esse faz prender o fôlego pelo simples fato de nos encontrarmos nele, e ressaltar os mais variados defeitos que nós mulheres em especial temos e muitas vezes preferimos "ocultar" ou "fingir" que não existem.
Claro o filme engraçado também tem seus méritos, mas nada como ler o livro e compreender cada detalhe precioso que se perde ao tentar reproduzir algumas obras.

Se desesperar com a balança? Com certeza deve haver algo de errado com ela, ou será comigo? Efeito sanfona, emagrece, engorda... Que ciclo vicioso!
Argh! Apavorada com aquela barriguinha saliente, e as celulites e estrias indesejada??? Não estavam ali ontem!
Devoradora de chocolates, sorvetes, pizzas, pipocas, guloseimas e afins em crises existenciais?Assistir programas de TV no sábado á noite por falta de companhia? (Detalhe: zapeando os canais na tentativa de achar alguma coisa interessante – Resultado: frustrada e consumindo algo calórico para compensar).
Brigas com as revoltas dos seus cabelos? Secador, escovas, chapinha... affff...
Derrubar o armário escolhendo por horas uma roupa para aquele encontro?
Sofrer por dor de cotovelo, abandono, traição, coração partido?
Beber por culpa, desprezo ou fracasso?
Fumante em potencial, lutar contra o vício?
Amar demasiadamente, doar-se em medidas desproporcionais?
Empenho obsessivo na área profissional, engolindo quantos "sapos" forem necessários muitas vezes?
Solteira? Casada? Eternos dilemas...
Tendência a relacionamentos complicados, ou seja: "grandes roubadas"!
Conflitos familiares desestruturando o equilíbrio das coisas.
Aventuras e risadas com os amigos, na tentativa de afogar as mágoas e encontrar soluções milagrosas para os problemas.
Se desdobrar em dez para ajudar as pessoas queridas que lhe batem na porta, sempre com aquele sorriso generoso.
Se jogar no sofá de pijama e meias, ouvindo "All By Myself" ou qualquer canção melodramática que faça você desidratar de tanto chorar.
Aguardar ansiosa (o grau de ansiedade ultrapassa a lógica) o telefone tocar, sendo assim acaba paranóica checando secretárias-eletrônicas, e-mails entre outros...
Almoços e jantares mirabolantes para "fisgar" alguém pelo estômago! (quem sabe funciona, né).
Ser totalmente atrapalhada e desajeitada, quase colocando tudo a perder, e provavelmente tentando consertar em seguida( algumas vezes com sucesso, outras nem tanto).
Não ter medo de se expor ao ridículo ou ser alvo de comentários e críticas por ser autêntica e verdadeira(algumas vezes até demais).
Ter metas e objetivos a cumprir e fazer de tudo para torná-los reais.
Fazer anotações sobre o seu dia-a-dia na tentativa de aprimoramento.
Ter surtos por essa ou aquela festa. Com que roupa ir? o que dizer? como se comportar?
Idealizar aqueles "momentos especiais"(mesmo que existam apenas em nossa cabeça).
Ter tido muitos "Daniel’s Cleaver" na vida, mas sempre espera por encontrar um "Mark Darcy"...

Em algumas dessas situações nos encontramos, com maior ou menor intensidade, mas o fato é que, existe uma "Bridget Jones" dentro de cada uma de nós, perdida ou a solta, e morremos de medo de que ela se manifeste.
Os amores, as paixões, confusões, decepções, vilões de nossas vidas, desafios profissionais, tudo nos remete a nossa realidade, o ser humano imperfeito e caricato que somos e muitas vezes mal nos damos conta de tal.

Quer saber?
Sou uma "Bridget Jones" muitas vezes, exceto pelos itens beber e fumar, mas boa parte de todas as outras coisas escrevem o enredo da minha vida. Como ela, pensem o que quiser, sou como sou, e para ser sincera, nem um pouco interessada em saber se me enquadro ou não nos padrões.

Sou Feliz droga! Dane-se!


Ps: O segundo livro: No limite da razão apenas continua a saga das "Bridgets Jones", e reforça a idéia de que nada é perfeito nem eterno, o "perfeito" também tem problemas, o "fator comum" novamente embala a trama.


***

terça-feira, agosto 26, 2008

As mulheres sangram ...




Mas porque as mulheres sangram?

Esse não seria mais um discurso desconexo sobre feminismo,
Nem se pretende tal ponto.
Mas que sangramos demais,
áh, isso não se pode negar.
Sem discussões. Sangramos e pronto!
Sangramos por fora se fazendo perceber,
Sangramos por dentro sem transparecer.

Porque sangramos desde o princípio de tudo,
A maçã de Eva no paraíso era vermelha
Como a gota de sangue que escorre de uma ferida que não cicatriza
O vermelho do batom que aveluda os lábios
Ao sermos concebidas sangramos por carregarmos o peso do universo
Quando nascemos sangramos ao sermos abruptamente apresentadas ao mundo
E ser mulher é entrar nesse ciclo de sangramento contínuo que o sexo oposto
Nem de longe sonha em compreender.
Para amadurecer como mulheres cientificamente falando, começamos sangrar,
Para nos tornarmos mulheres também sangramos.

Sangramos mensalmente,
Até quando o relógio biológico começa descansar,
Algumas dolorosamente e outras de maneira indolor,
Mas, todas temos o vermelho vivo
Pulsando em nossas entranhas

O vermelho vivo da paixão fulminante que arrebate
O vermelho ameno do amor que acalenta
O vermelho nocivo do desprezo que confunde
O vermelho angustiante do abandono
O vermelho letal da mentira que mortifica

Tudo é vermelho!
Uma antítese de valores
E sentidos entrelaçados
Que sempre estará presente
Quando chega, quando vai
Quando acontece, quando não vem
Quando traz euforia
Ou quando agoniza
Maldição ou será a Salvação?
A Benção ou o Lastimável?

Somos nós mulheres que sangram
Pelo brindar da vida,
Pelo vibrar das conquistas,
Pelo chorar das dores,
Pelo querer das horas,
Pelo sofrer das mágoas,
Pelo sorrir dos filhos,
Pelas alegrias,
Pelas tristezas,
Pelo passar do tempo,
Pelo medo,
Pelo querer demais,
Pelo ser, pelo estar, pelo fazer...

Divinamente privilegiadas
Indescritivelmente diferenciadas
Somos o ventre do mundo
A Vênus do universo
A Afrodite dos Deuses
O centro de tudo
É aqui dentro onde tudo acontece...

Mulheres-meninas
Mulheres-mãe
Mulheres-pai
Mulheres-amigas
Mulheres-amantes
Mulheres-princesas
Mulheres-bonecas
Mulheres-plastificadas
Mulheres-montadas
Mulheres-feiticeiras
Mulheres-bruxas
Mulheres-anjas
Mulheres-encantadas
Mulheres-desprotegidas
Mulheres-poderosas
Mulheres Absolutamente Mulheres

E na vertigem, desse ir e vir
Choramos sorrindo,
Cantamos as lágrimas,
Gememos afoitas,
Como feitas para a poesia
Nos encaixamos em qualquer drama cinematográfico
ou romance literário
e até mesmo nas mentes invioláveis

Somos mais que isso
Mais que aquilo
Um que de quê?
Um Tal de tal!

Sangramos por bem
ou sangramos por mal
Sangramos felizes
Porque só nós,
Apenas nós mulheres
abrigamos e desabrigamos o sentido de tudo!

***

terça-feira, julho 15, 2008

Insuportavelmente Feliz ...




Então eu descobri porque sou tão Feliz assim...
Eu sou milionária e não sou dona de nenhuma fortuna palpável, mas
dona da maior delas a FELICIDADE!
Não tenho tanto dinheiro, nem mansões, carros e nem viajei para todos os lugares que gostaria de ter visitado, mas sou imensamente abençoada!
Não existe sorte maior no mundo que a minha, nem cifrões que comprem minha satisfação pessoal.
Tenho tudo que preciso, sou dona das melhores coisas que poderia querer,
Tenho as coisas boas da vida, e isso ninguém nunca irá me tirar.
As melhores sensações eu experimento, os melhores momentos vivencio a cada novo despertar.
Amo desmedidamente e sou amada muito mais, tenho uma família indescritível, amigos fantásticos, e um amor para me completar.
Meu coração vive em festividade, distribuo sorrisos aleatórios sem medo de reprovações, minha sinfonia é sempre harmônica como o cantar dos pássaros que pousam em minha janela todas as manhãs.
Possuo os maiores tesouros que alguém possa imaginar em ter, e isso me faz um ser humano melhor.
Minha alma tem as asas necessárias para me fazer voar bem longe e voltar com a segurança que preciso.Meu espírito é nutrido constantemente de boas energias, e minha freqüência vibra na onda das emoções.
Não tenho a perfeição ao meu dispor, mas a certeza de que posso superar o que me for conferido.
Meu céu também tem nuvens densas, vez ou outra me deparo com tempestades, raios e trovoadas, também enfrento a escuridão da noite, percorro horas caminhos incertos, sinto cansaço, sofro decepções, enfrento desafios e tenho perdas; mas aprendi esperar o sol nascer, o arco-íris aparecer depois do dilúvio, as borboletas surgirem e o trem voltar aos trilhos.
Sou autora da minha própria história e grata aos personagens que me ajudam a compor esse enredo por tudo que me acrescentam.
Quando deixei de procurar os “porquês” e esperar que tudo aconteça como imaginei, entendi que existem coisas que não se explicam e, que não preciso idealizar momentos ou situações, o melhor de tudo já está acontecendo o AGORA, e nada se compara a isso.
Sou iluminada pela luz que irradia das pessoas que convivem comigo,
Sou protegida por anjos especiais, muitos deles disfarçados de amigos e parentes, meu coração vive em estado de euforia e meus olhos entregam a minha alegria.
Ser amada não tem preço, adorada, agraciada, acalentada isso não se compra em nenhuma loja de departamentos, a dimensão da minha Felicidade não pode ser avaliada.
Ser feliz não é uma ocasião ou o acaso, e sim a conquista de quem tenta viajar dentro do próprio ser sem temer o que lhe aguarda.
Essa é a maior das minhas conquistas, porque ninguém pode me tirar isso!
Ai desculpa, mas tenho que dizer:
Eu sou insuportavelmente FELIZ e só posso retribuir isso tudo lhe sorrindo...

***

terça-feira, maio 13, 2008

Não tem preço ...




“Nenhuma dor é tão mortal quanto a da luta para sermos nós mesmos.”



Tem momentos em nossas vidas que é inevitável esmorecermos, as dificuldades, os obstáculos que nos são impostos, o peso diário de ser mãe, pai, filha, irmã, amiga, namorada, companheira, confidente, profissional, estudante, mulher.
Cuidar dos outros e de nós mesmo exige disponibilidade e disposição para abrir-se como compartimentos e ir desempenhando tantas funções e emoções simultâneas.
O aprendizado humano é algo complexo e constante, a cada dia uma sementinha nova de conhecimento e sabedoria nos é oferecido.
O crescimento interno é um processo lento e amadurecer faz parte dessa linha de tempo.
No ciclo da vida tudo nasce, desenvolve, amadurece e por fim morre.
Assim como as plantas, as frutas, os seres vivos, somo parte do mesmo processo de
auto-identificação.
O amadurecimento é individual, depende de cada um, de como reagimos diante dos fatos e como administramos os sentimentos.
A maturidade traz o equilíbrio, e o equilíbrio oferece o bem estar, e é desse enriquecimento que me refiro.
Esse prazer de sentir-se bem com você mesmo, independente de estar ou não sozinho.
Do contrário que se pensa, amadurecimento não significa perder o brilho e o encanto por tudo que nos rodeia, muito pelo contrário, é justamente o oposto.
Quando descobrimos que a felicidade não é uma porta que abre e fecha quando as circunstâncias surgem, e sim um estado de espírito e um encontro com nosso eu mais profundo, tudo a nossa volta torna-se satisfatório e faz um sentido maior.
O tempo agora é respeitado com uma certa placidez, não há porque atropelar os acontecimentos, nem queimar as etapas que nos aguardam, já que aprendi que as coisas acontecem naturalmente e conviver com o bom e o mau que a vida nos reserva é o desafio que impulsiona a realizar nossos objetivos.
O sol sempre estará lá, encoberto ou não pelas nuvens, ele está lá, e a certeza de que na mesma proporção que os fatos desagradáveis e dolorosos nos atinge, compreendi que os bons momentos também acontecem.
O fascinante é descobrir que o que tanto procuro não mora fora, mas dentro.
A tentativa de encontrar harmonia em lugares, pessoas ou situações podem ser frustrantes, até percebermos que é tão mais simples quanto se imagina está tão próximo, e sempre esteve presente, é dentro de nós que encontramos o que projetamos no outro, o resto é conseqüência das nossas ações e reações.
É ter a consciência de que estamos tentando fazer sempre o melhor, distribuir boas energias e emanar vibrações positivas sempre retornam de maneira satisfatória.
O controle é nosso, somos nós que determinamos o que dizer, fazer e mudar, então a responsabilidade de cativar o que de melhor pode ser extraído de alguém é nossa.
Isso também significa abrir-se ao mundo em todos aspectos como pessoal, profissional, social e em como lidar com situações que não detemos o controle como lutos, rompimentos, decepções, crises e descobertas.
Aceitar que, falhamos, admitir os erros e se dispor a corrigi-los e se necessário for mudar, essa é a batalha diária.
Hoje consigo perceber com maior clareza como coisas pequenas que aborreciam, hoje não me atingem mais, incrível é poder rir de fatos que antes incomodavam, mas hoje simplesmente não me tiram do sério.
Apesar de ser alguém de temperamento forte, meu humor não se altera mais com tanta facilidade.
Não vivo mais de um extremo ao outro, nem me atormento com o que não vale a pena.
A paciência tem sido companheira.
Aprendi que a força está em mim e não do que espero de você.
Aprendi a respeitar minhas vontades, respeitar meu corpo, meu tempo, e assim não infrinjo os direitos alheios.
Aprendi que não há desgaste maior do que comprar briga com nós mesmo.
Aprendi que posso ser tolerante e piedosa sempre que for preciso, e que isso não custa nada.
Aprendi a ouvir a voz do silêncio e descobri a paz em momentos que nem imaginava.
Aprendi a escutar a minha respiração, a desacelerar meu mecanismo, a curtir coisas simples que fazem tão bem a alma.
Consigo sentir o cheiro do vento, o aroma da chuva, o calor da terra,
a beleza de tudo que me cerca, o sorriso de uma criança, o aceno de um idoso,
o beijo de boa noite dos meus pais, o abraço do meu irmão, o olhar do meu namorado, a gargalhada de um amigo, o gosto do bolo da vovó, o gelado do sorvete e a quentura do fondue, a harmonia da meditação, de um jeito que antes me escapava.
As turbulências podem me alcançar porque isso é inevitável, mas vão me encontrar mais serena e determinada.
É claro que ainda irei me stressar, sofrer, sentir dor, mas estou aprendendo a canalizar o que não me faz bem, e a me conectar com o que tenho de melhor.
E essa sensação maravilhosa de estar saboreando o que a vida pode presentear, não tem preço nem definição.
Então um dia percebemos que a opção de “ser” ou “estar” é apenas nossa, e escolher o caminho no qual iremos seguir determina todo o resto.


***

quinta-feira, abril 24, 2008

Síndrome de Don Juan



De onde vem esse tolo
Que se julga suficientemente bom
Para pairar aqui ou lá
Apaixonado por si próprio
Alucinado por suas próprias frases de efeito
Escorrega e tropeça na própria soberba
Veste-se de prepotência
E aponta os meus defeitos?
Não enxerga o próprio retrato
Nem o cenário que pode lhe engolir
Esse saborzinho de empáfia
Ficou por aqui
Como em outrora
Descuidei de mim
Quem tropeçou fui eu
Por acreditar que sensibilidade
É um adjetivo generalizado
Como dizia Vinícius
“A maior solidão do homem
É encerrada em si mesmo ...
E em paga o homem mata com a navalha”
Agora compreendo uma entre
Tantas outras coisas que me escapavam
E agora completam o emaranhado desse
Mosaico desfocado
Se pensar com uma das cabeças
Que não seja a que abriga o cérebro
Os resultados serão esses disparates
Lançados ao vento que contaminam
mais que a própria doença
A audácia perniciosa
não é o ato de se colocar na frente
Mas o de se achar superior
As reviravoltas do destino
Demonstra interesse,
Mas recua por medo de se envolver
Eterno sedutor acha mesmo
que charme e lábia ganham sempre?
O espelho é seu maior inimigo,
Será que visualiza quem mora ai dentro?
“Very Irrésistible ?”
Se desfaz em mil pedaços
quando percebe que não é irresistível
Bem resolvido?
Acredita mesmo nisso?
Padece da síndrome de Don Juan
Essa procura aleatória
Em satisfazer o oportuno egocentrismo
Quanto mais, melhor!
Só assim consegue se reafirmarTece a teia, envolve, comove
Seduz, satisfaz e descarta.
Usa como se troca de roupa
E o que é pior,
Deixamos ser usadas
Até nos tornarmos imunes
Ao seu doce veneno
Oh, senhor Onipotente!
Agora rege a terra, o céu e o mar,
Também domina situações
Mas peca em achar que
Apodera-se dos sentimentos
Pobre mortal que se julga o tal
Mal consegue amar uma única mulher
Aventura-se na conquista de todas
Como se fosse objeto de coleção
O intruso ousa usurpar a emoção alheia
Pena de ti que não se encontra em si mesmo
Que dirá em outros braços
Uma vez experimentado o deslumbro
Da própria imagem
Eternamente escravo
de sua vaidade se tornará!

***


> Have You Ever Really Loved A Woman???



***

sábado, abril 19, 2008

Porque não hoje???



Então hoje seria o dia
O meu dia de gritar bem alto
Hoje eu ficaria aqui ou sairia ali
Só queria que hoje fosse assim
Tudo do meu simples jeito
Não ter que levantar apressada
Com os minutos contados
Esse meu tempo cronometrado
Sufocando meu direito de respirar
Hoje só quero ficar desarrumada
Cabelos desalinhado
Não preciso de maquiagem
Para sentir que meus traços definem o que sou
Nem de artifícios de beleza para provar quem sou
Hoje vou passar longe da moda e dos conceitos
Impostos pela sociedade
Só preciso curtir eu mesma
Assim da maneira que quero
Meu modelito desajeitado
Quero ficar de pijamae com minhas meias listradas
Descer as escadas pelo corrimão
Me jogar no sofá e curtir
O eco que meus batimentos emitem
sem me importar em parecer ridícula
Deixe-me morder os lábios a vontade
prender os cabelos do meu jeito
sentar como eu gosto
dar minhas gargalhadas escandalosas
e assobiar como eu sei
Só quero ficar na cozinha inventando
As minhas receitas para quem quiser provar
Poder olhar os peixinhos se movimentarem no aquário
Ir para o quintal descalça, regar minhas plantas
E perceber que algumas brotaram e outras morreram
Hoje sou eu quem vai dar banho no meu cachorro
Faz tempo que não rolo com ele e nem o levo para passear
Vou ficar assim sem cumprir nenhuma das regras diárias
Tentar desligar do trabalho
e das coisas que me acorrentam
Não vou abrir meus e-mails,
mas quem sabe escrever uma carta?
Vou comer tudo que tenho evitado: pipoca, pizza, brigadeiro e doce de leite!
Assistir meu filme favorito e voltar na melhor cena quantas vezes eu desejar
Ouvir minhas músicas “cafonas” até enjoar do refrão
Cantarolando bem alto sem me preocupar se desafino ou não
Rabiscar aquelas frases que insisto em achar que fazem sentido
Vou passar longe do espelho
E desviar dos saltos altos
Não quero olhar no relógio
Tomar aquele banho demorado e ficar de roupão sem ter que me arrumar
Fazer minha meditação sem pressa para acabar
Tirar o telefone do gancho
E curtir meu mundo particular
Aqui seu conceito não me interessa
Suas críticas não me atingem
E o jeito que você olha não me ofende
Vou fazer tudo do meu jeito
Não quero ser vista com lente de aumento
Nem ter minhas atitudes contestadas em um microscópio
Anoiteceu e vou contar estrelas
Procurando uma estrela cadente
Porque ninguém vai rir das minhas manias e neuras
Estou sozinha acompanhada de mim
E nesse infinito que me cerca
Percebo o quanto é bom prestar atenção em nós mesmo
Vou fazer diferente
E tudo o que quero hoje é apenas esse tempo para
me sentir, me ouvir, me entender
então deixa eu ser quem eu sei ser!

...

terça-feira, abril 15, 2008

Insônia: essa que me faz companhia




Incrível como relutei em escrever algo sobre a insônia, talvez porque me remete a horas sofridas, horas em que me encontro totalmente desesperada.
Mas hoje pela manhã, me deparei com um blog que entre diversos textos (muito bons por sinal), o que me chamou mais atenção foi exatamente um sobre insônia.
Na verdade, confesso que minha curiosidade era em saber se encontraria as respostas para minhas tentativas frustradas de atrair o sono, ou me simpatizar com alguns das muitas sensações que surgem na penumbra da noite, quando tudo que esperamos é que o sono vem nos acalentar.
Minhas experiências com a ausência de sono, vêm de muito tempo, desde criança tinha problemas para dormir. Mas ao passar dos anos os sintomas foram se acentuando, e as crises cada vez mais presentes.
O maior pesadelo não é aquele que temos em sono profundo, mas o que não nos deixa adormecer. Essa é a real sensação de que sofre desse mal.
O irônico é que apesar disso, sou amante da noite, adoro quando o escuro se anuncia, as luzes se apagam, o silêncio se faz presente, mas com ele vem a angústia de não ter o domínio do corpo e da mente.
A madruga se arrasta não se encontra lugar na cama, remexe de lá para cá sem solução, as lembranças rodeiam, os pensamentos entram em colapso, essas não passam, atormentam. Os fantasmas fazem fila na porta do quarto, os medos eclodem como um vulcão, os lobos internos, tudo parece ser tão pavoroso e cruel, quando a única coisa que se quer é adormecer naturalmente.
Tratamentos, técnicas de relaxamento, terapias alternativas amenizam o problema sim, as crises cessam até o dia em que recomeçam por algum motivo.
Como as crises insuportáveis de enxaquecas as de insônias também são controláveis, mudanças nos hábitos, na alimentação, terapias entre outros são bons aliados.
Costumo dizer que meu melhor terapeuta e aliado são os livros, companheiros mais que fiéis, presentes e acalentadores.
Apesar de não ser nada agradável conviver com esses momentos de impotência, fui aprendendo que tudo é uma questão de óptica e de adaptação, o ser humano tem essa maravilhosa função que é a da flexibilidade, então para tudo se dá um jeito, não há mal que dure eternamente.
Aprendi a transformar essas infinitas horas noturnas em “meus momentos de insanidade”. Exatamente assim, quando o sono não vem me visitar prontamente, espero por ele com menos ansiedade, menos pavor e agonia, hoje outros sentimentos estão dando espaço para esses períodos.
Meia luz, boa música, meus livros, meu lugar favorito, o cheirinho gostoso do meu ambiente, o chá quentinho para ajudar a relaxar, o trabalho que posso adiantar, meus poemas implorando para serem escritos, faz as horas fluírem com uma harmonia que estou descobrindo dia após dia.
Aquelas tão desejáveis 6 a 8 horas bem dormidas, ainda estão longe de se realizarem, mas quem sabe um dia.
Muitas coisas tiveram que serem deixadas de lado, meu café adorável, os chocolates que me tiram do sério, e tantas outras coisas que aprendi que precisam ser evitadas nessas crises constantes.
Houve vezes que achei que fosse enlouquecer, tive acessos de raiva, descontrole, de choro e quase sempre ficava revoltada, só que percebi, que nenhuma dessas reações contribuiam para meu bem estar, de nada adiantava me martirizar, a não ser aprender a conviver com o fato de eu ter sim problemas para dormir e de milhares de outras pessoas também passarem por esse tormento e mesmo assim levarem uma vida saudável.
O bom da vida é estar diante dos desafios e descobrir formas de poder ultrapassá-los e quando isso não é possível enganar os problemas e aprender a lidar com eles da melhor maneira possível e sempre de bom humor.
Apagar a luz, folhear livros sem interesse, ligar a TV, levantar, se remexer na cama de um lado para o outro procurando a melhor posição, pensar nas mil coisas a fazer, nos problemas, nas contas a pagar, nos projetos a finalizar, ligar para alguém que ainda esteja acordado, beber alguma coisa quente, ouvir músicas, recitar um mantra, fazer orações, chás relaxantes e afins, contar carneirinhos, elefantes e até dinossauros, já passei por todos esses estágios.
Todas as tentativas possíveis e inimagináveis, até que você percebe que se não pode com ela, junte-se a ela, e dê boas gargalhadas dos seus momentos mais sombrios.
O importante é sempre tentar extrair o melhor de cada crise, de cada fase negra que passamos em todos os aspectos de nossa vida.
Como encarar o outro dia?
Um bom banho revitaliza as energias, e a certeza de que um dia pode ser melhor que o outro impulsiona você a estar nova em folha, porque ninguém tem culpa de sua noite mal dormida, nem dos seus piores pesadelos.
Então bons sonhos a todos os que podem aproveitá-los, porque esse ainda é o meu maior sonho de consumo.


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>Ps: visitem esse blog, tem textos ótimos que acho justo compartilhar com tds
http://anamesquita.zip.net/

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quarta-feira, abril 09, 2008

O preconceito contamina a alma




Hoje o assunto que me motiva a escrever é muito mais discutível do que se imagina, e ainda assim tão menosprezado e camuflado.
Falar sobre preconceitos é sempre algo delicado, mas como diz meu amigo está “na moda”, agora me pergunto em qual “moda”, será na de massacrar e condenar alguém por suas escolhas e gostos?
Vai ver era dessa moda que ele se referia, já que em se tratando dessa questão só consigo enxergar algumas pessoas acometidas de tamanha hipocrisia.
De acordo com o dicionário é o termo designado para "conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; idéia preconcebida".
Pois é sempre foi o que realmente imaginei ser.
Diferença é a qualidade de ser diferente, de divergir de ser desigual, não semelhante, ou seja, nós como meros aprendizes desse espaço de tempo terreno que nos é concedido, vamos ao longo da existência incorporando valores e aprendendo a respeitar o outro, e suas características, mas será que fazemos isso?
Desde muito cedo, lidamos com os conceitos de igualdade e diferenças entre todos os indivíduos, o fato é como esses conceitos são passados de geração para geração.
Há tempos atrás quando as pessoas careciam de informações e orientações sobre certos assuntos, até seria tolerável compreender que alguns temas eram objetos de tabus, mas não me venha dizer que em plena era globalizada isso ainda está presente, e o que é pior, maciçamente presente.
Irônico não é mesmo, evoluímos em tantos aspectos, na tecnologia como exemplo, mas nesse aspecto justamente ainda vivenciamos a era mais tosca de todos os tempos.
O grande desafio do ser humano talvez seja realmente esse, respeitar as diversidades, seja elas de opiniões, de multiplicidades, de experiências, cultural, sexual, etnias, religião, idades, de atitudes, de todos os níveis possíveis, ser “diferente” dos moldes estabelecidos pela sociedade gera discussões, indagações, repudia e o bichinho do PRECONCEITO, é um exercício de cidadania, um exercício interno primeiramente.
O fator cultural pesa muito nesses julgamentos antecipados, valores, ideologias, contribuem para contaminar as pessoas com esses sentimentos que só fazem mal para quem os experimenta e os lança desproporcionalmente.
Mas em qual dos conceitos ditados pela sociedade como toleráveis você se encaixa?
Sempre existirá alguém que não aceite suas idéias, não goste da forma como você se veste, da maneira como você demonstra as emoções ou como se comporta diante de algumas situações.
Com toda certeza é muito complicado limitar o certo do errado, até onde a verdade do outro é a absoluta e onde começa a sua verdade.
Mas também não há como dizer que jamais somos ou seremos preconceituosos por qualquer motivo que for, já que sempre existirá coisas que nos incomodam, e passamos assim a adotar automaticamente a posição de pré-conceito, que nada mais é que fazer um pré julgamento sobre algo que não sabemos exatamente o que significa ou como se procede.
Mas podemos amenizar as coisas, não discriminando ninguém por suas opções ou condições, de maneira precipitada e injustamente.
Precisamos sim respeitar o comportamento de cada um de acordo com sua conduta particular.
Estou fazendo uso do chamado “nariz de cera” em jornalismo, para deixar minha insatisfação em algumas situações que infelizmente presenciei nos últimos tempos.
Apontar o dedo para outro indivíduo sem critérios nenhum é exercer crueldade em primeiro grau.
Abominável quem se acha no direito de ser o detentor da verdade e se julgar melhor que alguém por alguns aspectos que os divergem.
Sou vítima de presenciar fatos que nem encontro definição para tais, mas também nos últimos dias pude vivenciar o outro lado do preconceito, o lado de dentro.
O ser discriminado é algo que nos deixa profundamente abalados e desconcertados, mesmo se você tem uma postura firme sobre seus ideais e conceitos, mesmo assim machuca.
As pessoas são diferentes por inúmeros motivos, e respeitar a todos é um dever, é imprescindível, não estou dizendo para compreender ou aceitar, aprender a conviver em harmonia é uma tarefa constantes, mas tão desesperadamente necessária.
Eu entendi como é ser olhado diferente, como é ser julgado por algo que você escolhe ou decide, como é ser desrespeitado sem o menor cabimento, e garanto não é nada agradável se ver obrigado a defender-se mesmo sem vontade ou necessidade aparente.
Já havia passado por situações de discriminação por motivos familiares, por ter alguém em uma condição especial em casa, o que nem vou tocar no assunto, porque renderia muitas páginas. Mas uma coisa é sentir o peso do preconceito por terceiros outra coisa é sentir como eles sentem.
Cada ser humano é como é, distinto em suas particularidades, e ninguém é 100% bom ou 100% mau, somos o que somos, e vamos caminhando tentando acertar, erramos na maioria das vezes, mas na tentativa de fazer a melhor opção.
Como o milenar ditado celta “Toda vela acessa projeta uma sombra, não deixe que ela tome conta de você. Sair do lado escuro da vida e aproveite o sol.”
Não vamos nos deixar contaminar pelos conceitos equivocados.
Quem sabe abrir os olhos para nós mesmos e aprimorarmos o que temos de melhor, conseguimos enxergar no outro semelhanças que nem imaginávamos que existissem.
O respeito às diversidades é o melhor caminho para paz.
***

terça-feira, abril 01, 2008

Último monólogo


Meus pensamentos só vieram pedir trégua
A esse amontoado de idéias
A essas lembranças que rasgam
A melodia que ficou para trás
Aos espelhos estilhaçados

Peço paz para um coração desmontado
Para um querer impertinente
Para um gostar desgovernado
E um sonhar inacabado

Quero espaço para juntar os pedaços
Consertar o que está errado
Ou enganar o que não posso mais

Preciso encontrar as chaves que
Tragam-me de volta para o portão principal
Não vou seguir as mesmas pegadas
Arrisco num salto inválido

Aqueles fantasmas me rondam
No cair da noite,
Quando a lua está cheia
Quando tudo se cala
Quando o silêncio se faz presente
Espreita e tortura o que já não posso mudar
Tento me afastar do reflexo aparente
Mas caiu na mesma corrente

Quebrei meu último escudo
Agora nada mais protege
A não ser o orgulho
Que insulta minhas vontades
E se mostra capataz
Dos meus sentimentos

Eu busco aquele sossego
Aquele que sabe cerrar meus olhos
Que cala a minha boca
Que me aquieta por dentro
E acalenta essa alma atormentada
Pelas coisas que não conhece
Mas que arrisca descobrir

Onde será que meu eu se escondeu
Correu tão longe
Que não consigo observar
Mais distante do que pude imaginar

Esse espaço aqui amedronta
Roubou a coerência das minhas palavras
E o meu código de ação
Onde busco a salvação?
Por qual caminho devo prosseguir?

Não vou mais ficar sentada
Olhando o mundo passar em vão
Então, adeus para quem fica,
Vou rumo ao que me espera
Sem me preocupar se encaixo
Ou não em seu conceito obsoleto

Por isso não me mostre essas emoções
Nem elas esperam me fazer companhia
Confio bem mais em minhas razões
Elas não me falham,
E nem confundem minhas aspirações

Agora minha concha se fechou
A tempestade sempre passa
E quando sair o sol
Não vou mais estar aqui para ver.


***

sexta-feira, março 28, 2008

Aquilo que soa irreal




Eu não buscava palavras
Não espera aplausos
Nem aquela aprovação
Porque procura resignação?

Só queria seus braços
Esperava seu olhar me tocando
O gosto da sua boca na minha
A sua pele roçando o que tem em mim
Aquele aconchego prometido

Não queria supor que seria mentira
Nem inventar que poderia passar em vão
Mas me calou sua decisão
Nem se perdoou a intenção

Aquele vazio passou por aqui outra vez
sem promessas de ficar
apenas veio me visitar
bati a porta em sua cara
não vou mais me fechar
Já calei tempo suficiente

Isso pode ser uma sentença
De morte
Ou de vida
Que seja
Agora tanto faz
O que importa é me encontrar
Em outro lugar que não seja este

Apenas não sei o quanto me resta
Se isso é pouco ou bastante
Talvez eu me perca nesses dilemas
Mas é bom lembrar que ainda
Posso extrair o melhor do pior

Já é tarde
E esses elos estão desatando
Preciso encontrar o caminho
Para me libertar
Não de você
Nem do mundo
Mas apenas de mim



***

quinta-feira, março 27, 2008

Olhos tristes




Aquela senhora tinha os olhos tão tristes e profundos que seria impossível não ser tocado por eles, não bastasse isso, aquele olhar distante que implorava ajuda.
Seria tão mais simples, se eu virasse as costas e seguisse meu caminho,
Tão mais fácil banalizar aquela situação que se tornou corriqueira e incrédula de soluções.
Mas eu, ai, eu não consegui fingir que não estava vendo e sentindo isso.
Era apenas uma mulher maltratada pela vida, cansada de sofrer, abandonado á sorte.
Sentei-me ao seu lado, e lhe dei o que podia no momento, minha companhia, ela me sorriu, provavelmente espantada por essa atitude, mas receptiva.
O sentimento de compaixão se apoderou da minha pessoa.
Sempre tive um carinho especial por crianças e idosos, dois estágios de idade que merecem total carinho e respeito.
Ela me perguntou se eu tinha avós, eu sorri e disse que ainda tinha.
E começou a contar passagens de sua vida.
Apenas atenção, era tudo que precisava, alguns sorrisos, e palavras que os façam se sentir vivos.
Perguntei-me, porque esse desprezo, a essas pessoas que nos deram a vida nos conduziram pelo caminho, algumas vezes acertaram outras não, mas passaram suas experiências e ensinamentos, o que recebem? Esse desprezo e frieza.
Rostos cansados, enrugados pelo tempo, e um coração nobre cheio de sabedoria, mãos que ainda se estendem sorrisos que ainda iluminam.
Uma alegria que se observa ao fundo, camuflada pela dor, mas que se abre a mais remota proximidade.
Os anos passaram e não os poupam da degradação, não a física, mas a moral.
Há sempre algo bom a aprender com eles, sempre encantador tê-los por perto.
Suas histórias e memórias, algumas vezes falhas pela idade avançada, mas não menos interessantes e ricas em detalhes.
Sim, ela tinha olhos tristes, mas muita afeição para distribuir.
Não contive as lágrimas, quando me disse que era um ser humano que trabalhou a vida toda e só merecia um pouco de respeito, triste por ser motivo de vergonha para os filhos.
Filhos esses que deveriam ter vergonha de si mesmo.
Oras onde estamos, precisa pedir respeito?
Por favor, eles merecem respeito e amparo.
Lembrei dos meus avós, das coisas que fizemos juntos e doeu ainda mais.
Então é dessa forma que se procede?
Somos jovens, belos e produtivos, o tempo leva nossa juventude e somos descartados como sapatos velhos por muitos, porque não servem para mais nada?
Revoltada com tanta falta de sensibilidade e indulgência, só espero que esses mesmos nunca envelheçam para não passarem por esse descaso.
Aprendi tanto com aquele senhorinha terna e risonha de olhos tristes e cansados,
com seus cabelos branquinhos, sua voz rouca e pausada, que agradeceu-me pelos minutos de atenção.
Hoje vim agradecer pelo momento único que pude compartilhar com ela, e deixar registrada minha admiração pelo desprendimento e resignação daquela mulher e de todos idosos.
Guerreira e tão fragilmente hostilizada.
Prefiro pensar que existam anjos com um pouco de humanidade que os ampare
de alguma forma, mesmo tendo a consciência da atual situação que muitos se encontram.
Situações que embargam minha voz e açoitam meu coração,
Deixam-me sem palavras para finalizar esse desabafo.

...

quarta-feira, março 26, 2008

O amor pode sangrar




Anoiteceu dentro de mim
Isso sangra baixinho
Coração dilacerado
Essas lágrimas não param de cair
esses soluços sufocam minha razão
não posso evitar essa dor
aqueles sonhos agora estão perdidos
a tempestade arrasta tudo pela frente
me carregou para bem longe
e não consigo voltar
não era pra sem assim
falta o chão,
falta o céu,
falta encontrar a direção
cadê aquela canção que você me recitava?
Cadê nossas juras de amor?
Cadê os planos que idealizamos?
Onde foi que erramos?
Em que momento mudamos de caminhos?
Como apagar a trilha sonora de uma vida?
Como deixar esquecer os melhores anos?
Como apagar os momentos especias?
Por que não para de machucar
Se sigo querendo ficar
Eu tentei,
Sempre fizemos dar certo
Alguma coisa se quebrou
E essa sensação de estar se soltando que paralisa
Só queria sorrir aqueles sorrisos de antes
E desejar com aquela loucura
Onde dormiu a paixão?
Seria bom se pudesse voltar no tempo
Eu não me arrependo
Apenas escolheria outras alternativas
Queria me encontrar novamente em você
Essa á angústia que assombra
Porque nossos olhares não se cruzam
Não sinto mais nossas mãos se tocarem
Cadê as batidas do meu coração
Para sempre tornou-se muito tempo
E esse fracasso é cruel
Quem sabe o tempo dê um jeito em tudo
E conserte nossos erros
Porque preciso daquela felicidade de antes
Para entender que tudo faz sentido
De repente os risos
Deu lugar ao pranto
E não secamos mais as lágrimas
Antes éramos nós
E aprender a conviver com o eu
É a parte mais difícil
Não é tão trágico aos olhos de muitos
Mas essa dor se torna física
De tantos pedaços que me encontro
Como juntar?
Por onde começar?
Para que caminho seguir?
E seus beijos
Como vou esquecer?
E você
O que será de nós?
Se o nós se foi?
Como apagar essas mágoas?
Como esquecer o que dissemos?
Como ser alheio a isso
Se isso é parte de nós?
Sobrou silêncio esta noite
A madrugada parecia não ter fim
Essa solidão cortou-me ao meio
E você por onde andará?
Porque minhas perguntas não encontram respostas?
Porque não conheço o certo e o errado?
Porque estar longe
Quando se quer estar junto?
Porque se ferir quando está junto
Se conhecemos as conseqüências?
Porque tento esvaziar esse sofrimento
Com palavras
Se nem há o que explicar?
Já não sou aquilo que era
Cadê o sol, a lua,
E aquela estrela que você me deu?
Não quero experimentar a saudade
Mas ela já está a me rodear
Me leve daqui
Porque não sei se vou suportar
Ouvir esse adeus
Pedindo para ficar
Minhas gargalhadas
Agora estão abafadas
Pelos gemidos
Então eu vim aqui
para fazer um poema de amor
Mas só consegui
Falar de dor
Essa hora é insuportável
ter recolher o que ficou
arrancar você de mim
sem saber por onde começar
então me deixe aqui sozinha
que preciso encontrar as forças
E tentar recomeçar
Então olho para os lados
e pergunto
quem apagou as luzes?


***

terça-feira, março 25, 2008

Paciência tem limite!!!



Aquele ranço de arrogância me embrulhou o estômago, e logo no final do dia, já estava acometida pelo cansaço e o tédio me rodeava.
Mal atravessou a porta e queria ser notado(admiro pessoas autênticas e impetuosas), mas aquela presença era insuportavelmente irritante.
Qual a intenção de se portar com tanta presunção?
Detentor da verdade absoluta? Qual verdade? A dele só se for, porque todos torciam o nariz.
Não sou juíza de valores, nem tão pouco pretendo ser, mas o que me motiva a escrever, é a inclinação que algumas pessoas têm em contaminar o ambiente por onde adentram com uma facilidade incontestável.
Todos os olhares cruzaram-se naquele momento, como que uma sinfonia de pesar, a notória presença desconcentrou o recinto.
Não cumprimentou os funcionários, muito pelo contrário, destratou um deles, mal se dirigiu aos presentes, e sua postura era tão imperiosa como seu modo de agir.
As horas teimaram em passar. A atmosfera já havia tornado-se densa.
Se não fosse pela consideração e pela necessidade de estar ali, já teria me retirado.
Um ruído abrupto, novamente me roubou a concentração.
Não, pelo amor do Deus, não venha em minha direção.
Como se pudesse fazer algo. Fixei o olhar no livro que nem sabia mais o que estava lendo.
Aquela frase de muito mau gosto me fez respirar profundamente,
- vou me sentar aqui!
Assim sem mais nem menos.
O que ele pensa que é?
A essas alturas era tudo o que menos precisava, e a minha resposta foi automática.
Não, por favor, tem outros lugares aqui, prefiro permanecer sozinha.
E de novo aquele tom enojado roubou a cena,
- mas não estou pedindo sua permissão, estou dizendo que irei sentar.
Essa definitivamente foi demais, nem precisa dizer que cordialidade e boa educação, têm limites, não é mesmo. O meu havia se esgotado naquele minuto.
A autora dos ruídos agora era eu mesma, importunando o silêncio a minha volta e isso me contrariou ainda mais.
Dessa vez nem contei até três, levantei imediatamente, recolhi minhas coisas, peguei minha bolsa e segui em direção ao balcão para entregar os livros.
Eis que aquela voz terrivelmente azucrinante me fez engolir seco, quando ouvi:
- ei, onde pensa que você vai? Não terminei de falar com você!
Deus dê-me paciência, porque não vou me controlar.
Continuei andando até a porta de saída, até sentir um solavanco puxando-me para trás.
Instintiva foi minha reação:
- o que é isso? Faça o favor de soltar o meu braço agora e não vou repetir.
Minha nossa, os olhares agora eram todos para mim.
Ironicamente logo eu, que odeio chamar atenção, agora era o centro das atenções.
Algumas pessoas que estavam por perto se levantaram e vieram até mim, como se dissessem, precisa de ajuda?
Fiz com a cabeça que estava tudo bem, mas eles permaneceram ali.
Agora sim eu estava profundamente irritada e já não fiz mais uso da educação quando disse:
- Nunca mais, dirija-se a mim dessa maneira, não o conheço e nem faço gosto em conhecer, saia da minha frente que quero passar.
Sai sem ao menos olhar para trás.
Naquele instante tudo que queria era respirar ar puro e ficar sozinha.
Estava tomada de raiva. E odeio sentir isso.
Andei tão rápido que nem consegui me situar.
Experimentei um sentimento desagradável, no qual ainda sinto o gosto amargo.
Sou muito condescendente, mas tem coisas que fogem ao nosso controle.
Fiquei pensando se me faltava mesmo o equilíbrio, ou se agi apenas como qualquer humano faria.
E acabei percebendo o quanto a arrogância usada de maneira inadequada é um instrumento destrutivo.
Quem a tem em níveis elevados, se acha no direito de controlar e se impor no direito do outro.
Sinceramente espero nunca mais ter que cruzar com aquele personagem grotesco.
Penso que nosso papel como ser humano é cativar bons sentimentos e acumular experiências positivas e assim repassá-las, mas com toda certeza algumas pessoas nem sabem o que isso significa.

quinta-feira, março 20, 2008

Fase de transição



Me deu vontade de postar alguma coisa que estivesse sentindo realmente, mas não somente nesse breve espaço de tempo, há algum tempo já. Percebi o quanto minha vida tem tomado rumos diferentes, e como meus sentimentos e atitudes estão em fase de transição, de auto-conhecimento. Queria escrever sobre assuntos relevantes e interessantes, mas só consigo direcionar o foco ao meu umbigo. Egocêntrico isso não é mesmo. Tenho tido rompantes de egoísmo, coisa que nunca me permitir experimentar, já que antes sempre estava mais preocupada com os outros do que comigo mesma. Provavelmente usava esse artifício para descentralizar do mais importante, meu crescimento como pessoa, e o medo de descobrir as verdades, as “minhas verdades”, essas que ás vezes confunde e até chocam, mas que são parte do meu todo, e não há como me desvencilhar disso. Eu aprendi que só se aprende errando, e isso me tirou do sério, porque eu não me permitia errar, até parece né. Porque ser dessa forma?Tropeçar, cair, se machucar, cuidar das feridas até elas cicatrizarem, depois sacudir, levantar e retomar o caminho. Processo doloroso, mas inevitável. Buscando um equilíbrio dentro do meu próprio universo, tem sido uma procura constante, me deparei com eu mesma, e isso amedronta. Esse confronto com o que se é e o que se espera e pretende ser é complicado. Todos em algum momento do caminho percebem que as mudanças se fazem necessária, e essas de certa forma mais complexas do que o esperado. Mas essa sensação de estar experimentando as mudanças lentamente, em doses homeopáticas, e cada qual em sua maneira peculiar de enxergar e encarar os fatos. Despi-me da hipocrisia tempos atrás, que vem acompanhada dos pré-conceitos altamente corrosivos, o que não foi um processo fácil confesso, mas que precisava vencer. Essa ânsia de encontrar meu eixo (um amigo disse-me que saiu do eixo pelo menos uma vez por mês), acho que muito provavel até mais vezes, estou na busca de reequilibrar esse eixo interno. Será que conseguirei essa proeza? Viver é sempre fazer escolhas, optar pelo que julgamos no momento ser o mais conveniente, e toda escolha resulta em alguma renuncia, o “X” da questão é justamente esse, avaliar os prós e contras, porque essas decisões não vem com manual de instrução, mas é preciso arriscar e assumir certos riscos. Provavelmente meu raciocínio esteja limitado, e eu esteja andando em círculos, talvez aí esteja a razão de querer escrever algo, para ver se consigo avançar e encontrar possíveis respostas. Li em algum artigo sobre mapear nossas percepções, olha é um exercício extenuante e constante, mas possível de ser realizado e até coerente em certos aspectos. Tenho praticado. Equilibrar o que temos de melhor com a diminuição do que nos pesa, era exatamente isso que falava o artigo. Conhecer as qualidades e perceber com mais objetividade os defeitos e pontos frágeis, com isso encontrando sentimentos e possibilidades novas de se descobrir e isso é fascinante, porque outras coisas em torno do que somos vão sutilmente se modificando, e é dessa adaptação que estou tentando escrever desde o início. A capacidade que o ser humano tem de se ajustar em novos modelos, em se permitir mudar e experimentar novos desafios é incrível e surpreende. Essa flexibilidade aflora mais em uns que em outros. E os medos são aliados para estimular esse desenvolvimento, é a partir dele que nos posicionamos diante dos fatos. Queremos sempre estar certos de tudo que nos propusermos a realizar, e a única coisa que sabemos é que convivemos com o oposto a incerteza, não existem verdades absolutas, depende do ângulo que é visto, o que também é muito relativo, surgem então os conflitos e como solucioná-los. O interessante disso tudo é saber misturar todos esses sentimentos e teorias, e ver o que acontece na prática, tentar incorporar o bom senso, a intuição as nossas necessidades e anseios. Refletir sobre os passos que avançamos ou recuamos, nos aceitar e compreender que a evolução é uma busca interna, não há como se projetar em outra pessoa. Ser sempre o mais honesto consigo mesmo antes de qualquer coisa, sair da concha vez ou outra para espiar o fluxo do mundo, se permitir tudo que é possível e não se cobrar se os erros fizerem companhia nesse descobrir diário, faz parte do aprendizado, o importante é não ferir o direito do outro, respeitar nossos limites e porque não ultrapassa-los??? A melhor parte de nós é quando nos descobrimos possíveis de coisas inimagináveis e nos consentimos ser o que somos, imperfeitos seres humanos.
...


* contuto, estou buscando encontrar o melhor que posso ser *


segunda-feira, março 17, 2008

Aprendendo ...


"Amor que é amor de verdade começa dentro da gente,
é amor próprio, natural, protetor...
Aquele que se quer bem,
que se faz bem,
para só depois ser transferido...
Amor é o que nos impede de amar o outro mais do que a nós mesmo,
porque isso não é amor,
é possessão, submissão
e não faz bem...
Essa é a pré-condição da existência amorosa,
amar-se muito incondicionalmente, antes de amar o outro.
Amor é família, é amizade, é profissão,
é o homem que amanhã vai envelhecer junto contigo.
Amor é Bom Dia! Boa Tarde! Boa Noite!
Assim mesmo, empolgado, com os olhos brilhando...
Amor é café da manhã a dois,
é um oi inesquecível no meio da tarde,
é um telefonema inesperado,
um e-mail descontraído,
é o gesto mais simples se tornar especial, inexplicavelmente.
Amor é poesia.
Amor é vida, é cheiro, é pele, é sabor, é música.
Amor é silêncio consentido,
é blábláblá divertido e gargalhadas intermináveis.
Amor é carinho, é colo, é cafuné, é admiração.
Amor também é estrada,
é estrela cadente,
é sonhar acordado, de repente.
Amor é fantasia, é intenção
é desprendimento, é compaixão.
Amor é chão, é caminhão de carinho,
é nunca se sentir sozinho mesmo estando desacompanhado.
Amor é oxigênio,
Adrenalina que impulsiona
feromônios que alucinam
é a liberdade de se permitir ser feliz!
Amor é cumplicidade, companheirismo e lealdade.
Amor é calor, é respeito, é aconchego.
Amor é saudade, é beijo, é abraço, mas amor também é dor...
Dor que o tempo cura,
dor que adormece - dor que nem sempre se esquece.
Amor que é amor começa com flor e às vezes, acaba com espinho,
algumas vezes, em outras se acabam os espinhos e o amor continua, renasce.
Ficar é para todos,
é descompromisso
Beijar é para todos.
Enrolar é para todos.
Transar é para todos.
Apaixonar é para todos.
Flertar é para todos.
Paquerar é para todos.
Amar não.
Amar é para poucos...
O amor é exigente por si só,
Mas demanda apenas dedicação e cuidados.
é entrega, mas nunca subversão!
Quer mais compromisso,
mais desprendimento, mais atenção.
Quer mais respeito e consideração.
Quer mais amanhã e depois e depois e depois e depois...
O amor é de quem tem fé,
é pra quem perdoa,
pra quem não de medo de se jogar,
pra quem é simples e bem resolvido consigo mesmo.
Pra quem não tem medo de se machucar,
cair e levantar.
O amor é de quem divide o bem, a dor, o travesseiro,
o último pedaço de chocolate...
E de quem sabe conciliar paciência com romance
e juras eternas embaixo do edredom num dia de chuva.
O amor é de quem cria,
de quem espera,
de quem faz acontecer.
Amor é olho no olho,
boca na boca,
corpo no corpo...
É transparência.
É pé na frente, não atrás.
Amar... Amar sempre! Amar mais... amar quanto puder!
As coisas, as pessoas, a natureza.
Se amar sempre em primeiro lugar!
Não esperar o valor do outro,
mas delimita o seu!
Nesse mundo modista,
esta é a moda que eu inventei
E pena de quem se priva dessas sensações
por medo de se envolver
Pois não viveu as melhores emoções...



*E então eu li num livro

Que amar nem sempre é sinônimo de dor,
Que a gente deve acreditar no destino seja o que for
E que o sentido da vida é nada mais que o amor.
Eu li num livro
Estava escrito nas entrelinhas,
clichês as vezes fazem sentido.
Que um erro pode ser consertado
que as pessoas são humanamente imperfeitas.
E que não deve ser julgada apenas pelo seu passado.
Eu li num livro
Que a esperança é a ultima que morre,
Que o covarde é o primeiro que corre
E que um sonho as vezes é só um sonho,
mas que você deve arriscar
e ousar sempre!
Estava escrito em cada linha
Que as vezes a culpa não é sua nem minha,
Que uma pessoa pode até viver sozinha
Mas sempre vai precisar de alguém, em seu coração.
Eu li num livro
As palavras que eu gostaria de ter escrito
Porque o que é belo nem sempre é bonito
E um sussurro dito aos ouvidos,poderá soar como um grito.
Estava escrito,
Que nenhum dia deve ser perdido,
Nenhum momento arrependido
Porque a vida é passageira
Então: eu digo eu Te Amo,
Antes que assim seja tarde demais!
Eu me Amo,
Porque conheço minhas virtudes
Aceito meus defeitos
E desafio meus medos...
É o que tenho dito,
pois aprendi com o que estava escrito,
aprendi com o que vi e vivi,
E vou levar para a vida inteira
que os melhores momentos
são breves apenas no mero espaço do tempo
e eternos enquanto a alma guardar! "

sábado, março 15, 2008

Nada explica esse momento!




Como esperei por esse dia
Como desejei que ele chegasse logo
Houve vezes que pensei que tinha fracassado
Mas a vontade de vencer e a esperança
Nunca me abandonaram
Derramei tantas lágrimas por ter
Parado no meio do caminho
Mesmo querendo continuar
A minha desolação me motivou
A persistir até chegar aqui
Meus pés ficaram pesados
Naquela parte do caminho que cai
A dor foi incomensurável
Impossível descrever
O sufoco de não depender do meu esforço
O céu quando desaba
Traz a sensação mais devastadora
Os dias passaram num luto profundo
Minhas expectativas rasgadas em mil pedaços
Meu coração dilacerado
E meu orgulho massacrado
Não bastava chorar e me fazer de vítima
Só o tempo e a determinação conserta as coisas
As forças brotaram misteriosamente
A vitória estava na minha frente
Bem no final do túnel havia uma
Luz quase se apagando
Que tratei de recuperar
O caminho foi extenuante e penoso
Mas o meu querer sobreviveu bravamente
As adversidades que a vida me pregava
O tempo não volta,
mas as escolhas e
A capacidade de superação
Mostra outros caminhos
Tão possíveis quanto os desejados
Hoje choro novamente
Mas não são as mesmas lágrimas
De outrora
O sabor que agora sinto molhar meu rosto
É de satisfação por ter enfim chegado aqui
Nada nesse espaço terreno
Vai conseguir definir
Essa euforia que agora sinto
Meu coração quer sair para compartilhar
Essa conquista
Minha alma está em festa
E meu sorriso não cabe em mim
Ansiei por esse momento
E o idealizei inúmeras vezes
O que não sabia é que
Seria infinitamente melhor
Só quem passa por aqui
Consegue dimensionar
Esse prazer inestimável
De ter vencido
Mais que uma conquista pessoal
Uma conquista moral
As pedras me ajudaram a subir
E hoje se tornaram minha fortaleza
Isso não é simplesmente um canudo
Mas o meu esforço reconhecido
O prêmio por noites em claro
Por horas de estudos
Por dias de aflições
Que hoje mostram-se
Tão incrivelmente significativos
Eu faria tudo novamente
Só para sentir tudo isso
Eternizado em minha existência
Hoje completo mais um ciclo
E avanço mais um degrau
Na escada dos meus objetivos!

segunda-feira, março 10, 2008

Como estações: meu instante inusitado.....


Olho para o céu e lá está tudo do mesmo jeito,
tudo como antes...
As coisas estão nos mesmos lugares de sempre,
O sol, a lua, as estrelas, o vento, o mar, as paisagens,
as pessoas seguindo seu caminho, o universo prossegue na mesma órbita...
O tempo passou e a única coisa que mudou foi eu mesma...
Minhas escolhas,
meus pensamentos,
as decisões que deixei de tomar,
as que tomei e as que ainda irei tomar...
Já posso sentir o frio gelado,
tocando minha pele,
O inverno chegou cedo,
e trouxe com ele as incertezas,
Os tormentos agora são meus companheiros,
Fria e intempestiva feito a neve
vou me bastando do que nem mesmo escolhi...
Caem as folhas do outono,
Trazidas pelo vento,
secas e estridentes
Uma brisa fresca e suave num momento de melancolia e insegurança
Nada sei do que está por vir...
Só promessas sem fundamentos,
apenas intenções inadequadas...
As cores,
o perfume,
o brilho,
as vibrações,
Chegou a primavera,
brincando com as sensações
Iluminando os sorrisos e resgatando o tempo perdido
Época de idealizar os sonhos
ir em busca do que realmente faz sentido...
Verão agora se faz presente,
Quente,
penetrante e jovial,
agora encontrei o que preciso
Consigo avistar o destino a minha frente,
Agora é a época dos sonhos se tornarem reais,
É momento de fazê-los serem possíveis...
Você vem comigo,
dentro do peito,
aconchegado em meu coração
Nos dias frios será o que me fará superar as tormentas
Porque de mim sabe o ontem,
vive o hoje e espera do amanhã,
O medo ficou para trás,
como reflexo de uma imagem que nem mesmo eu voltarei a ver...
Boas vindas ao novo tempo,
boas novas ao que de singular existe...
Saudações á Felicidade,
que novamente vem dar-me o ar de sua majestosa graça,
encantando meu espírito com sua afetuosa alegria...
Neste momento,
sei o que tenho,
amanhã outros invernos virão,
mas a certeza de que o sol nasce de novo me acompanha

***

........... And so you promise that tomorrow be different than today ......

quinta-feira, março 06, 2008

it will be that I find myself?




"... Eu sou as gotas de orvalho na grama verde,
sou a brisa que antecede a chuva no campo.
Sou o sol da primavera,
as flores que cobrem delicadamente as árvores;
O perfume que chega à você pairando ao seu redor;
O sorriso da mãe que acompanha os primeiros passos do filho,
Sou a emoção de ver o sol escondendo-se na linha do horizonte;
Mas acima de tudo,
e isso realmente faz de mim, o que sou:
Carrego comigo um pouco de tudo que ví,
guardando em mim em pedacinho de cada momento que vivi.
O difícil é sair e não olhar para o que ficou.
Seguir como a nuvem que vai onde o vento determina,
sem questionar a direção.
Tantas vozes fazem eco, agora.
Tantas mãos ainda seguram a minha.
Tantos esperam por mim,
tantos dependem de mim...
E eu?
Apenas necessito de um porto seguro,
do seu porto seguro,
onde espero ancorar minhas inquietudes
e desbravar nossas intenções mais secretas ..."



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"Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia". (Nietzsche)



>>> and still I wait to understand *